O resultado das eleições e a luta em defesa dos serviços públicos

O resultado do primeiro turno das eleições de 2026 acendeu um sinal de alerta para a classe trabalhadora. A nova composição do Congresso Nacional ampliou o peso político da direita e das forças conservadoras e fortaleceu ainda mais os setores que defendem a redução do papel do Estado, a austeridade fiscal, a precarização das relações de trabalho e a ampliação da participação privada na execução das políticas públicas.

O PL, partido inimigo das pautas da classe trabalhadora, elegeu sozinho 121 deputados federais e 19 senadores, tornando-se a maior bancada partidária nas duas Casas do Congresso Nacional a partir de 2027. O resultado também ampliou o espaço de partidos e grupos parlamentares identificados com pautas liberais na economia e conservadoras nos costumes. Ao lado das bancadas partidárias, ganharam força as frentes organizadas em torno de interesses econômicos e políticos específicos, como o agronegócio, o setor financeiro, a indústria armamentista e os grupos conservadores.

Essa correlação de forças impõe dificuldades concretas para a aprovação de avanços sociais e cria um ambiente favorável à retomada de propostas que atingem direitos trabalhistas, previdenciários e sociais, enfraquecem políticas públicas e reduzem a capacidade do Estado de atuar diretamente na garantia de direitos.

Para a classe trabalhadora, o perigo está na combinação entre austeridade fiscal, redução do Estado e precarização do trabalho, uma combinação que se sustenta da ideia de que serviços públicos são ineficientes e direitos sociais devem ser submetidos aos limites impostos pelo mercado.

O Sindsep-DF rejeita frontalmente essa concepção. As políticas públicas formam o salário indireto da classe trabalhadora; a forma concreta pela qual milhões de brasileiros têm acesso à saúde, educação, previdência, assistência, fiscalização, ciência, cultura, proteção ambiental, infraestrutura e tantos outros direitos. E para que essas políticas continuem é essencial a valorização dos servidores e empregados públicos. Atacar o serviço público significa atacar os trabalhadores públicos e significa atacar diretamente as condições de vida da população.

As contrarreformas administrativas, como a PEC 32/2020, que permanece pronta para votação no Plenário da Câmara, e a PEC TrêsOitão, significam a própria demolição dos serviços públicos e dos direitos dos servidores. Atacam diretamente a estabilidade funcional e buscam a precarização dos vínculos trabalhistas como medidas para favorecer as privatizações e os cortes em investimentos públicos para atender aos interesses de rentistas e banqueiros.

O mercado financeiro já “reagiu” positivamente ao resultado eleitoral. No primeiro pregão após o primeiro turno, o Ibovespa ultrapassou pela primeira vez a marca de 200 mil pontos, valorização que refletiu, entre outros fatores, as expectativas do mercado em relação aos rumos da política econômica e fiscal. Para os abutres que vivem da renda financeira, a perspectiva de um Congresso mais alinhado à austeridade representa uma oportunidade de enriquecer ainda mais!!

Para os trabalhadores, entretanto, essa mesma agenda significa redução do custo do trabalho, com pressão sobre salários, concursos, carreiras, investimentos sociais e capacidade de prestação direta de serviços públicos.

Por isso, o segundo turno presidencial é decisivo.

O resultado da eleição para a Presidência da República poderá produzir diferentes relações entre Executivo e Congresso a partir de 2027. Um governo que se alinhe integralmente à agenda fiscalista e às pressões pela redução do Estado encontrará no novo Congresso uma base política mais ampla para avançar destruindo direitos, políticas públicas e estruturas estatais. Uma orientação distinta poderá, por outro lado, estabelecer outra dinâmica institucional e criar condições diferentes para a disputa das políticas públicas e dos direitos sociais.

Contudo, nenhum resultado eleitoral resolverá por si só a questão colocada sobre os rumos do orçamento público, das reformas administrativas, das proteções trabalhistas e das políticas sociais. Ele modifica a correlação de forças institucionais, mas não determina antecipadamente o resultado das lutas. A própria história dos trabalhadores brasileiros demonstra que direitos não foram concedidos espontaneamente por maiorias parlamentares, mas conquistados pela organização, pela mobilização e pela capacidade da classe de enfrentar interesses econômicos poderosos.

O Sindsep-DF defenderá com ainda mais firmeza o concurso público, o Regime Jurídico Único, a estabilidade, a negociação coletiva, a valorização salarial, a progressão funcional e a estruturação das carreiras. Por outro lado, nossa entidade continuará combatendo os projetos de terceirização e a privatização de serviços públicos que transforma o Estado social em um balcão de negócios.

O que está em disputa, neste momento, é a possibilidade de termos melhores ou piores condições de continuar a luta por nossas reivindicações e avançar em nossas conquistas. Está em disputa o caráter do Estado brasileiro e sua capacidade de garantir direitos à maioria da população.

O período exige de nós ainda mais organização e unidade para defender o futuro dos nossos direitos e conquistas!

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