Manifesto “O novo mundo do trabalho e a lógica imperialista”
O 1º de Maio é um marco histórico de resistência, organização e luta da classe trabalhadora em todo o mundo. Neste dia, reafirmamos o legado do internacionalismo proletário, responsável por consolidar direitos, produzir consciência coletiva e impulsionar processos de emancipação social.
As conquistas históricas não foram concessões. São fruto direto da luta organizada dos trabalhadores e trabalhadoras contra a exploração e as desigualdades estruturais que sustentam o sistema capitalista. É nesse contexto que a classe trabalhadora segue resistindo, sem abrir mão de sua dignidade, renovando, a cada ano, sua disposição de luta e sua capacidade de mobilização.
Vivemos um período de profundas transformações no mundo do trabalho. Sob o discurso da modernização e da eficiência, o projeto do capital financeiro avança com novas formas de exploração e precarização. Terceirização irrestrita, pejotização, uberização, expansão do teletrabalho sem garantias, desoneração de direitos e o uso intensivo de tecnologias, como a inteligência artificial, vêm sendo apresentados como inevitáveis, quando, na prática, operam para fragilizar vínculos, reduzir conquistas e enfraquecer a organização coletiva.
Esse modelo não é neutro. Ele amplia desigualdades, fragmenta a classe trabalhadora e constrói a falsa ideia de que a retirada de direitos é condição para o desenvolvimento econômico. É uma ideologia que busca naturalizar a precarização e despolitizar o debate sobre trabalho e justiça social. Como se não bastasse, essa lógica tem aumentado a misoginia e o feminicídio, trazendo de volta os tempos de barbárie com o crescente assassinato de mulheres e meninas em todo o país.
Nesse cenário, é fundamental reafirmar o papel estratégico do Estado e do serviço público. Políticas públicas universais e de qualidade, como saúde, educação, assistência social e previdência, são, na prática, parte essencial da renda da população trabalhadora, garantindo acesso a direitos básicos e reduzindo desigualdades. Fragilizar o serviço público é, portanto, retirar direitos concretos da classe trabalhadora e da população em geral, aprofundando a exclusão social.
Diante desse cenário, é ainda mais urgente fortalecer a unidade dos trabalhadores e trabalhadoras, reconstruir laços de solidariedade de classe e entre gerações, e ampliar a capacidade de organização coletiva. É na luta conjunta que se constroem respostas à altura dos desafios impostos ao trabalhador pelo capital.
Nesse contexto, o Sindsep-DF reafirma seu compromisso histórico com a defesa dos direitos, com a valorização do serviço público e com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Seguiremos atuando para fortalecer a organização da classe trabalhadora, ampliar o diálogo com os servidores e empregados públicos, e enfrentar com firmeza todas as formas de precarização.
Neste 1º de Maio, mais do que celebrar, convocamos à reflexão e à ação. Porque o trabalho está em transformação e a luta também precisa estar.

