Servidores da Funasa sofrem com intoxicação

Há muitos anos, os servidores da Funasa enfrentam graves problemas de saúde ocasionados pela intoxicação com o veneno usado no combate às endemias. Nos últimos tempos, os problemas têm se tornado ainda mais graves no Distrito Federal. Recentemente, vários servidores e trabalhadores contratados apresentaram sintomas de intoxicação. Em muitas situações, a intoxicação já foi até comprovada por laudos médicos, como no caso de Ana Lúcia.

Contratada em 1999, para trabalhar no campo pela Funasa, ela começou a sentir em 2003 os primeiros sintomas do envenenamento: taquicardia, tonturas, fortes dores de cabeça e tremores. Foi então que fez o exame de colinesterase, que mede o nível da enzima colinesterase no sangue e é indispensável para quem trabalha com substâncias tóxicas. Em virtude da detecção de alto índice dessa enzima, Ana Lúcia ficou 30 dias afastada do trabalho. Mas os sintomas continuaram e, neste ano, a intoxicação foi confirmada. Hoje, além dos sintomas verificados inicialmente, ela sofre de labilidade emocional (instabilidade emocional, pois o veneno atingiu o sistema nervoso), problemas de visão, pressão alta, fibromialgia (dor muscular) e falta de memória.

Neste momento, a luta de Ana Lúcia é para que o INSS considere seu caso como acidente de trabalho para que possa dar entrada na aposentadoria por invalidez. Esse é um direito mais do que justo porque ela já não reúne as mínimas condições de voltar ao trabalho pelo fato de não poder mais, em hipótese alguma, ter contato com o veneno.

Na avaliação do Sindsep-DF, são duas as causas do problema.

A primeira, é o fato do governo passado ter realizado a descentralização da Funasa, transferindo às Secretarias de Saúde estaduais a obrigação de fazer o combate às endemias. Ocorre que elas não se encontram em condições de realizar tal tarefa pelo fato de não terem sido preparadas e criadas para isso.

A segunda, é a não disponibilização de material adequado para manuseio do veneno, tais como luvas, máscaras e sacolas. É uma constante a reclamação de servidores no sindicato quanto à ausência desses materiais na realização do seu trabalho. Tal situação configura, mais do que negligência, uma atitude bárbarie para com esses trabalhadores.

Além disso, não é disponibilizado carro para transporte durante o trabalho. Os servidores têm que se deslocar à pé. Aos contratados não é fornecido nenhum treinamento para manuseio do remédio nem informação alguma quanto ao perigo que ele representa ao ser manuseado sem equipamentos de proteção.

É importante ressaltar que a Embrapa desenvolveu, recentemente, um tipo de veneno natural, o BTI, que não intoxica pelo contato direto. Mas poucos são os estados onde ele está sendo utilizado.

Para tratar do tema, está em discussão no Sindsep-DF a proposta de realizarmos um seminário que contará com a participação dos servidores de campo de todo o DF, bem como especialistas da área.


Fonte: EG 165 


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