Sindsep-DF debate precarização e reforça a luta da classe trabalhadora

Na noite de ontem (29), o Sindsep-DF realizou o debate “O novo mundo do trabalho e a lógica imperialista”. A atividade abordou o avanço do projeto do capital financeiro, que tem imposto novas formas de exploração e precarização das relações de trabalho, sob o discurso da modernização e da eficiência. Ao longo do encontro, foi enfatizado que o atual contexto do mundo do trabalho é marcado por profundas transformações impulsionadas pelo avanço tecnológico, pela plataformização e pela atuação das big techs, o que tem intensificado práticas como a terceirização, a uberização e a pejotização. Segundo os participantes, esse processo integra uma ofensiva mais ampla, de caráter global, que fragiliza direitos, desestrutura vínculos trabalhistas e enfraquece as organizações sindicais.

Compuseram a mesa o secretário-geral Oton Pereira Neves, o coordenador da Secretaria de Formação, Francisco Chagas Machado Filho, e os palestrantes Geny Helena Fernandes Barroso Marques, procuradora do Trabalho e vice-coordenadora regional da Coordigualdade do Ministério Público do Trabalho da 10ª Região (MPT/DF); Marcos Verlaine da Silva Pinto, jornalista e consultor do DIAP; Vladimir Nepomuceno, assessor da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público no Congresso Nacional, especialista em Processo Legislativo e servidor público federal aposentado; e o economista Max Leno, da subseção do Dieese na Condsef/Fenadsef.

Francisco Machado afirmou que o debate foi pensado para municiar a militância diante de uma ofensiva de caráter imperialista contra os trabalhadores. “A nova ordem econômica intensifica a precarização, com terceirização, uberização e pejotização, e impõe uma dominação ideológica que dificulta a mobilização e enfraquece as entidades sindicais. É preciso enfrentar esse cenário a partir de uma perspectiva de luta”, avaliou.

Convidada para tratar do tema “combate à discriminação e desigualdades no novo mundo do trabalho”, Geny Helena observou que está em curso um processo de desmantelamento dos direitos trabalhistas, acompanhado de um discurso ideológico que desvaloriza o emprego formal e enfraquece vínculos, proteção social e entidades sindicais. Nesse contexto, chamou atenção para a situação das trabalhadoras, marcadas por desigualdades estruturais. Ela afirmou que o assédio moral é uma forma de discriminação que as trabalhadoras enfrentam e que pode ser agravada, caso, além de mulheres elas sejam negras, mães, idosas e chefes de família. Ela explicou que nesse contexto, as mulheres enfrentam maiores barreiras de acesso a direitos e a espaços de poder.

Marcos Verlaine argumentou que há uma ruptura entre as dinâmicas do século 20 e do século 21, marcada pelo avanço tecnológico e pelo protagonismo das big techs, o que demanda a renovação do movimento sindical. Ele também criticou o modelo econômico brasileiro, centrado na concentração de riqueza e na exportação de commodities, com baixo investimento em educação e tecnologia. Nesse cenário, manifestou preocupação com os rumos políticos do país e com o preparo das novas gerações diante dos desafios impostos pelo capital.

Max Leno pontuou que os setores econômicos passam por transformações rápidas e contínuas, com o mundo do trabalho cada vez mais vinculado à plataformização, e defendeu a mobilização unitária como caminho para avançar. Como exemplo, mencionou a Marcha da Classe Trabalhadora, realizada em 15 de abril, que teve expressiva participação e levou uma das pautas centrais dos servidores ao Legislativo, referindo-se ao PL 1893/2026, que trata da regulamentação da negociação coletiva no setor público.

Vladimir Nepomuceno ressaltou a importância da atividade para reafirmar o 1º de Maio como um dia de luta da classe trabalhadora e de reflexão sobre a organização sindical diante dos desafios no setor público. Ele alertou para os impactos da ampliação de vínculos temporários e da terceirização, em forte crescimento nos estados e municípios, além dos riscos de propostas como a reforma administrativa e a PEC 65/2023, que fragilizam o serviço público e os direitos dos servidores. Também mencionou mudanças já em curso na estrutura do Estado, incluindo efeitos da reforma da Previdência, e enfatizou a importância de eleger um Congresso mais alinhado aos interesses dos trabalhadores.

Diretora da Executiva da Condsef/Fenadsef, Mônica Carneiro representou o secretário-geral da entidade, Sérgio Ronaldo. Em sua fala, classificou o evento como fundamental para aprofundar o debate sobre os rumos do movimento sindical e defendeu a renovação das entidades, com ênfase no trabalho de base e na luta política como estratégias para fortalecer a relação com os trabalhadores.

Chico Machado, secretário de formação, encerrou o debate reforçando a importância da unidade e da luta classista para a manutenção e ampliação de direitos. Em seguida, convidou os presentes a participarem do 1º de Maio da Classe Trabalhadora, organizado pela CUT e demais centrais sindicais. No DF, o ato político-cultural em homenagem ao Dia da Trabalhadora e do Trabalhador será realizado no Eixão do Lazer (altura da 106 Sul), a partir das 10h.

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