Sindsep-DF, Condsef/Fenadsef e CUT celebram trajetórias de luta e compromisso com a classe trabalhadora

Ato político na sexta-feira, 28, também marcou a posse dos novos delegados e delegadas sindicais

Uma noite de celebração, memória e reafirmação da luta sindical. Assim foi o ato político realizado na última sexta-feira (28), no auditório do Sindsep-DF, que marcou os aniversários de 39 anos do Sindsep-DF, 36 anos da Condsef/Fenadsef e 43 anos da CUT. O evento reuniu dirigentes sindicais, servidores e representantes do movimento sindical para celebrar a história construída por essas entidades e renovar o compromisso com a defesa dos direitos dos trabalhadores e com a transformação social.

A atividade também marcou a posse de 46 delegadas e delegados sindicais eleitos nas Eleições Suplementares para 11 Seções Sindicais. Os novos dirigentes passam a integrar a Diretoria Plena do Sindsep-DF, com mandato coincidente com o da atual gestão, para o triênio 2025/2028. Vale destacar que a atual direção já conta com 23 Seções Sindicais, formadas no primeiro processo eleitoral, realizado em dezembro de 2025. Ao todo, o sindicato conta com 34 Seções Sindicais e 152 delegados e delegadas.

História e os desafios da organização sindical

Na abertura do ato, o secretário-geral do Sindsep-DF, Oton Pereira Neves, lembrou a história de fundação do sindicato, ainda antes da Constituição Federal de 1988, e as dificuldades enfrentadas pelo movimento sindical naquele período. Ele destacou também os desafios atuais, diante de um cenário em que a burguesia busca influenciar e afastar os jovens da organização e da luta dos trabalhadores.

Oton ressaltou a presença do Sindsep-DF nas ambientações dos novos servidores, apresentando a entidade e buscando a filiação dos recém-chegados ao serviço público. “Fortalecer a organização sindical é fundamental para enfrentar o capitalismo e garantir a continuidade da luta em defesa dos trabalhadores. O papel do sindicato, nesse contexto, é extremamente importante”, destacou.

A força da organização e dos delegados sindicais

O coordenador da Secretaria de Formação, Francisco Chagas Machado, destacou a importância da atividade de posse dos novos delegados e delegadas sindicais, que também marcou a comemoração do aniversário de fundação do Sindsep-DF.

Chico lembrou que o movimento sindical daquela época teve papel fundamental na luta pela regulamentação do serviço público e destacou a trajetória da Condsef/Fenadsef, que se consolidou como uma organização independente e de luta, e da CUT, que classificou como inspiradora nas lutas dos trabalhadores.

Ele também ressaltou a importância dos delegados e delegadas sindicais para a organização e o fortalecimento da entidade.

A coordenadora da Secretaria de Organização das Seções Sindicais, Marta Rosângela, parabenizou o sindicato pela trajetória construída e destacou a capacidade da entidade de desafiar-se permanentemente a avançar nas pautas da categoria.

Entidades que construíram a luta dos trabalhadores

O secretário-geral da Condsef/Fenadsef, Sérgio Ronaldo, afirmou que a data representa um momento importante para a classe trabalhadora, especialmente para os trabalhadores do serviço público. ‘É um momento histórico para reafirmar que os servidores devem seguir na defesa dos direitos, da democracia e da categoria”, afirmou.

Ele ressaltou que as decisões tomadas pelos “guerreiros daquele período” foram fundamentais para construir uma fronteira de defesa e luta dos trabalhadores e trabalhadoras. Segundo o dirigente, foi por meio dessas ferramentas de organização que a classe trabalhadora conquistou importantes avanços.

Delegados sindicais: a base da organização

O diretor da CUT Brasil, Pedro Armengol, destacou a importância da comemoração e lembrou a luta travada durante a Constituinte para garantir aos servidores públicos o direito de se organizarem em sindicatos. Segundo ele, essa conquista representou uma transformação importante, ao permitir afirmar à sociedade brasileira que os servidores públicos também são trabalhadores.

Pedro ressaltou ainda o protagonismo histórico do movimento sindical brasileiro nos conflitos sociais e políticos e destacou que as organizações dos trabalhadores sempre estiveram na defesa de seus interesses, com participação importante na disputa pela hegemonia da sociedade.

Ao falar sobre a posse dos novos delegados e delegadas, o dirigente da CUT afirmou que eles são uma das peças mais importantes do sindicato. Segundo Pedro, não é possível construir uma organização sindical forte sem uma boa Seção Sindical, cabendo ao delegado sindical um papel fundamental nessa organização.

Ao final, parabenizou as entidades pelos seus aniversários, mas, acima de tudo, a classe trabalhadora brasileira, responsável pela construção dessas organizações ao longo da história.

Uma semana decisiva para os trabalhadores

O presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, destacou que a sexta-feira foi um dia de muitas celebrações, reunindo as comemorações dos aniversários do Sindsep-DF e da Condsef/Fenadsef, além da CUT e do Dia dos Bancários.

Rodrigo também chamou a atenção para a importância do momento vivido pelo movimento sindical. Segundo ele, a categoria está diante de dias decisivos, com pautas importantes prontas para serem votadas no Congresso, entre elas o direito à negociação coletiva no serviço público e fim da escala 6×1.

O dirigente ressaltou ainda a existência de uma grande base de trabalhadores terceirizados na Esplanada dos Ministérios e convidou todos os presentes a participarem da mobilização pelo fim da escala 6×1, nos dias 1º, 2 e 3 de setembro, em frente ao Anexo II do Senado Federal, para cobrar o avanço da proposta que reduz a jornada de trabalho e garante dois dias de descanso por semana aos trabalhadores.

Guerra, capitalismo e a luta dos trabalhadores

A programação também incluiu o debate “Sindicalismo, Organização e Luta dos Trabalhadores”, que contou com a participação do sociólogo Jhonata Martins, que abordou o tema “Guerra e Sindicalismo”, e de Neuriberg Dias, assessor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), que falou sobre “Organização Sindical”.

Em sua exposição, Jhonata Martins destacou que os conflitos e as guerras sempre estiveram presentes entre diferentes grupos humanos, sociedades e comunidades, mas que é no sistema capitalista que a guerra assume um papel específico.

O sociólogo lembrou a tese de Vladimir Lênin sobre o desenvolvimento econômico do capitalismo e sua chegada à fase imperialista, marcada, entre outras características, pela concentração da produção e do capital, pela formação de associações monopolistas e pela disputa por mercados. Segundo ele, esse processo leva, pouco a pouco, à militarização da sociedade para defender os interesses dos grandes conglomerados empresariais, tornando quase inevitável que a disputa por mercados se transforme em guerras.

Jhonata citou uma série de manifestações contra a guerra como parte da resistência dos trabalhadores, entre elas as realizadas nos Estados Unidos, e destacou a Conferência Internacional contra a Guerra, realizada em 20 de junho, na Europa, que reuniu cerca de 3 mil representantes de organizações sindicais e políticas para discutir formas de mobilizar os trabalhadores e barrar a marcha para a guerra.

Para o sociólogo, a conferência teve grande representatividade por reunir centenas de organizações de trabalhadores. Ele ressaltou ainda que também há resistência no Brasil e citou a participação do Sindsep-DF na Conferência pelo Direito de Migrar, diante do aumento das migrações provocado pelos conflitos, e em um ato realizado em frente à Embaixada dos Estados Unidos, em solidariedade às pessoas migrantes e contra a guerra.

Segundo Jhonata, a guerra é uma tendência inerente ao sistema capitalista e, mesmo nos países que não estão diretamente envolvidos nos conflitos, seus efeitos acabam repercutindo. Para ele, somente a solidariedade entre os trabalhadores, as organizações sindicais e os partidos de esquerda pode barrar essa marcha para a guerra e impedir que seus efeitos sejam colocados sobre os trabalhadores.

Serviço público e os desafios para o futuro

O assessor do DIAP, Neuriberg Dias, destacou que 2026 é um ano importante para dar continuidade à agenda positiva construída pelo governo do presidente Lula, ressaltando a retomada das mesas de negociação, a realização de novos concursos públicos, os reajustes salariais e a conquista de novos direitos.

Segundo Neuriberg, o serviço público se faz com mais servidores. Ele ressaltou que o debate é extremamente relevante porque não deve olhar apenas para o presente, mas também para 2030, quando será aberto um novo ciclo político, seja no campo da esquerda ou da direita, marcado pela disputa por novos líderes.

No curto prazo, destacou, é fundamental discutir os desafios impostos por um novo mundo em transformação, especialmente diante das mudanças digitais e das novas formas de prestação dos serviços públicos. Nesse cenário, apontou a necessidade de disputar os cargos e as carreiras, além da contratação de mais trabalhadores técnicos.

Neuriberg chamou a atenção para uma contradição no processo de digitalização do serviço público: ao mesmo tempo em que se amplia a oferta de serviços digitais, a falta de servidores suficientes pode resultar na sobrecarga dos trabalhadores que permanecem na estrutura.

O assessor do DIAP também ressaltou a importância da representação dos trabalhadores no setor público e da regulamentação da negociação coletiva. Segundo ele, existe uma disputa muito forte em torno do papel dos sindicatos e da representação dos servidores.

Nesse contexto, destacou os impactos do chamado Estado digital ou governo digital sobre o futuro das organizações sindicais. Para Neuriberg, as transformações em curso exigem que o movimento sindical esteja preparado para disputar os rumos do serviço público e garantir a representação dos trabalhadores diante das novas formas de organização e prestação dos serviços.

Celebração

A atividade foi encerrada em clima de confraternização, com os servidores cantando parabéns para o Sindsep-DF, a Condsef/Fenadsef e a CUT. Na sequência, foi servido um bolo alusivo aos aniversários das três entidades, marcando o encerramento da noite de celebração, memória e reafirmação da luta sindical. O primeiro pedaço foi entregue pelo secretário-geral, Oton Pereira Neves, ao delegado sindical Antônio do Carmo, da Seção Sindical no Incra.

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