Pesquisa publicada na coluna de Leonardo Sakamoto revela que 68% dos trabalhadores reconhecem importância dos sindicatos

Uma pesquisa divulgada nesta semana na coluna do jornalista Leonardo Sakamoto, no portal UOL, traz dados importantes sobre a percepção dos trabalhadores brasileiros a respeito da relevância dos sindicatos. O levantamento “O Trabalho e o Brasil”, realizado pelo Instituto Vox Populi e encomendado pela CUT e Fundação Perseu Abramo, com apoio do Dieese e do Fórum das Centrais Sindicais, mostra que 68% dos trabalhadores consideram os sindicatos importantes ou muito importantes para defesa dos direitos e melhoria das condições de trabalho.

Além disso, mais de 70% defendem o direito de greve, um dos principais instrumentos históricos da luta coletiva no país.

A pesquisa ouviu presencialmente 3.850 trabalhadores, entre assalariados com e sem carteira, autônomos, empreendedores, trabalhadores de aplicativos, servidores públicos, aposentados e desempregados, e tem margem de erro de 1,6 ponto percentual.

Reconhecimento do papel sindical cresce mesmo com campanhas de desinformação

Os resultados, como destaca Sakamoto, vão na contramão do senso comum alimentado por setores que tentam deslegitimar o movimento sindical. Mesmo assim, 52% dos trabalhadores dizem estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a atuação das entidades, e quase metade dos autônomos e empreendedores afirma que gostaria de se filiar a um sindicato, ainda que essa categoria não seja formalizada pela legislação atual.

Os entrevistados também identificam como contribuição direta dos sindicatos a melhoria de salários e condições de trabalho (68%); a melhoria das condições de vida (67,8%); a mediação com empresas (67,1%) e a defesa de direitos (64,3%).

O desafio da proximidade e da organização no mundo do trabalho fragmentado

Ainda que a percepção seja positiva, 52,4% afirmam não conhecer as ações concretas das entidades que os representam, e apontaram os seguintes caminhos para melhorar a questão: maior presença sindical no local de trabalho (49,4%); melhor comunicação (37,5%); e oferta de cursos de qualificação (29,6%).

A pesquisa também aponta baixa sindicalização (11,4%), reflexo da fragmentação do mundo do trabalho, marcada pela informalidade, terceirizações, pejotização e rotatividade, fatores que desafiam o movimento sindical a reorganizar sua estratégia.

Conquistas históricas da luta sindical e o papel do Sindsep-DF

O reconhecimento revelado pela pesquisa reforça a centralidade da luta coletiva para conquistar direitos, muitos deles hoje naturalizados, mas que nasceram da pressão da classe trabalhadora organizada por seus sindicatos. São exemplos: jornada de 8 horas diárias e 44 horas semanais (que já foi de até 16 horas); salário mínimo como garantia de condições básicas de vida ao trabalhador e sua família; férias e descanso semanal remunerados; 13º salário; segurança no trabalho; licença-maternidade, entre outros.

No setor público federal, a atuação do Sindsep-DF desde sua fundação, antes da Constituição de 1988 permitir a organização sindical dos servidores púbicos, foi fundamental para conquistas como o direito à greve e à sindicalização, concurso público, estabilidade no emprego, Regime Jurídico Único (Lei 8.112/90), aposentadoria por tempo de serviço, retorno dos demitidos do governo Collor (Lei nº 8.878/94), entre outros.

A própria sobrevivência dos serviços públicos e o fortalecimento do Estado brasileiro estão diretamente ligados à resistência organizada pelos sindicatos gerais ao longo das últimas décadas, especialmente no enfrentamento do desmonte e ataques orquetrados pelos governos do golpista Temer e do genocida Bolsonaro. Vale lembrar aqui que em plena pandemia de Covid-19, o sindicato, em conjunto com a Condsef e a CUT, organizou os servidores para impedir a votação da PEC 32/2020 (Reforma Administrativa) na Câmara dos Deputados.

Fortalecer sindicatos é essencial diante dos ataques atuais, como a Reforma Administrativa

Os dados divulgados pelo UOL chegam em um momento crucial: enquanto os trabalhadores reconhecem que sindicatos são essenciais para proteger direitos, o Congresso discute iniciativas como a reforma administrativa inimiga do povo (PEC 38/2025), que ameaça a qualidade dos serviços públicos prestados à população que já se mostraram essenciais e indispensáveis em situações recentes do país, seja na elaboração e implementação de ações de combate a uma pandemia, na fiscalização e defesa do meio ambiente ou no desenvolvimento de políticas voltadas à educação, à segurança pública, à reforma agrária, à cultura, ao esporte, ao lazer, à proteção social e tantas outras áreas.

Sob o discurso de eficiência e modernização da gestão pública, a PEC enfraquece a estabilidade e a autonomia dos servidores, introduz mecanismos de controle e punição típicos da lógica empresarial, reduz investimentos em políticas públicas, especialmente nas áreas de saúde, educação e programas sociais, e flexibiliza as relações de trabalho no setor público, transformando o Estado em um balcão de negócios a serviço do mercado financeiro.

Nesse cenário de ataques ao funcionalismo e aos serviços públicos, fortalecer os sindicatos significa fortalecer a democracia, a soberania e os direitos sociais.

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