Sindsep-DF celebrou o Dia da Consciência Negra reafirmando que a data é também consciência de classe, um compromisso coletivo com a igualdade, a dignidade e a justiça social

Em uma noite dedicada à memória, à resistência e ao futuro, o Sindsep-DF promoveu, no auditório Francisco Zócolli, uma palestra especial em celebração ao Dia da Consciência Negra. Realizada na segunda, 17, a atividade organizada pela Secretaria de Formação, reforçou o compromisso do sindicato no combate ao racismo e na valorização da história e das lutas do povo negro.

Transformar a Consciência Negra em prática cotidiana foi o chamado que guiou o debate. “A consciência negra não é sobre cor da pele, mas consciência de humanidade”, destacou o palestrante da noite, Boaz Mavoungou, escritor, educador e membro da Academia de Belas Artes do Sul do Brasil (ABARS).

Diretor da Executiva do Sindsep-DF, Chico Machado destacou que a atividade, além de exaltar o Dia Nacional da Consciência Negra, também ressaltou a dimensão reflexiva sobre a superação da desigualdade racial e o reconhecimento de valores aportados à cultura contemporânea. Nesse sentido, é impossível não reconhecer que, o massacre nos Complexos da Penha e Alemão, entre outras concentrações periféricas do Rio, transitam em sentido oposto, condenando à morte pessoas que já sobrevivem em situação precária. E o pior, essa parece ser a única forma de assistência do Estado.

A programação inclui a exibição do vídeo “O que é a Consciência Negra?”, produzido pelo canal Caçador de Histórias e um coquetel de recepção. O evento propôs ainda uma reflexão profunda sobre o avanço da extrema-direita no mundo e os impactos desse movimento na vida da população negra e trabalhadora. Para o Sindsep-DF, o combate ao racismo é indissociável da luta de classes, uma vez que a superexploração atinge de forma mais cruel os trabalhadores negros. “Não há como separar uma luta da outra. O racismo estrutura a desigualdade social e sustenta a exploração econômica”, destacou Eduardo José Mariano, diretor adjunto da Secretaria de Formação.

O presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, lembrou que a primeira forma de organização, luta e resistência no país foi a formação dos quilombos. O debate também resgatou experiências históricas de resistência, como a luta de Steve Biko, na África do Sul, durante o apartheid, e a revolta de Soweto (1976), quando estudantes enfrentaram o regime racista e inspiraram movimentos anticoloniais e antirracistas em todo o mundo. A direção do sindicato acredita que relembrar essas lutas é essencial para fortalecer a consciência política, cultural e histórica do povo negro e da classe trabalhadora.

Em tempos de retrocessos e discursos de ódio, o sindicato reafirma que a consciência negra é também consciência de classe, um compromisso coletivo com a igualdade, a dignidade e a justiça social. O secretário-geral Oton Pereira Neves encerrou o debate parabenizando a Secretaria de Formação por reforçar nas ações do sindicato a característica de pensar no povo que precisa do serviço público e outros movimentos da classe trabalhadora.

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