“Não aceitaremos impunidade”: Sindsep-DF cobra autoridades por justiça no caso Maxciel
No dia 15 de setembro de 2025, a Polícia Federal (PF) elaborou um relatório pedindo o arquivamento do inquérito sobre o assassinato do indigenista Maxciel Pereira dos Santos, ocorrido em 6 de setembro de 2019, em Tabatinga (AM). O documento, porém, só veio a público em 11 de novembro, após reportagem do Intercept Brasil.
Para o Sindsep-DF, o arquivamento do inquérito, além de perpetuar a impunidade, agrava o clima de insegurança vivido pelos servidores da Funai responsáveis pela execução da política indigenista, pela defesa dos direitos dos povos indígenas e pela proteção de seus territórios.
A entidade lembra que o assassinato aconteceu em um período marcado pelo desmonte e pela militarização da Funai, com ataques à missão indigenista do órgão, enfraquecimento das políticas públicas e precarização das condições de trabalho, sobretudo nas regiões de fronteira, onde a atuação dos servidores é mais exposta e vulnerável. Os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, em 5 de junho de 2022, no Vale do Javari, são consequência direta dessa mesma conjuntura, reforçando que essas mortes são responsabilidade do Estado, que tem a obrigação de esgotar todos os caminhos em busca de justiça por Maxciel, Bruno e Dom Phillips.
O Sindsep-DF afirma que arquivar o inquérito do caso Maxciel significa enviar uma mensagem perigosa: no Brasil, quem protege povos indígenas e a floresta pode ser assassinado, e nada acontecerá. Essa decisão amplia a vulnerabilidade dos servidores que defendem os direitos indígenas, incentiva a exploração ilegal das terras indígenas sem medo de punição e deslegitima a Funai e o próprio Estado como garantidores de direitos e segurança.
Segundo o Observatório dos Povos Indígenas Isolados (OPI), a família de Maxciel contesta o arquivamento e sustenta que há depoimentos e informações de inteligência, inclusive de testemunha protegida, que conectam o crime ao comerciante Rubens Villar, o “Colômbia”, já denunciado nos assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips.
Por essa razão, o Sindsep-DF seguirá cobrando do Ministério Público Federal (MPF), da Justiça Federal e da Polícia Federal a continuidade das investigações. A impunidade não pode ser o preço pago pela proteção dos povos indígenas. O sindicato também encaminhará ofício ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e à Funai para que se posicionem e atuem em busca de justiça por Maxciel.

