Fortalecer o Presente, Honrar o Passado: 60 Anos do Banco Central em Debate
A solução para os desafios do Banco Central deve ser inclusiva, respeitando as contribuições de todas as gerações de servidores e promovendo um diálogo construtivo que harmonize as necessidades institucionais com os interesses maiores da sociedade brasileira.
O evento de celebração dos 60 anos do Banco Central do Brasil (BCB), realizado em 02/04/2025, reuniu figuras que construíram a história da instituição, como servidores da ativa, aposentados, ex-presidentes e ex-diretores, ao lado das principais autoridades do país, incluindo membros do Conselho Monetário Nacional (CMN) e os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Essa ocasião especial proporcionou um momento singular de encontro entre o passado e o presente do BCB, simbolizando uma oportunidade valiosa para a reconstrução da unidade da instituição, fragilizada desde o início da tramitação da PEC 65/2023. Além disso, o evento reforçou a possibilidade de uma integração mais harmônica do BCB ao ambiente institucional brasileiro, destacando sua relevância e capacidade de adaptação diante dos desafios contemporâneos.
No discurso de abertura do evento de celebração dos 60 anos do Banco Central, Gabriel Galípolo destacou a importância dos servidores na construção da história da instituição. Ele afirmou que uma das melhores coisas que um presidente do Banco Central pode fazer é “dar as condições e não atrapalhar” o trabalho dos servidores. Galípolo enfatizou que a história do BCB é marcada pela dedicação e excelência dos servidores, que enfrentaram diversos desafios ao longo das décadas. Ele também ressaltou que o evento foi pensado para dar voz àqueles que realmente construíram a trajetória da instituição, celebrando o trabalho e a contribuição dos servidores para a sociedade brasileira.
Simone Tebet, ministra do Planejamento e Orçamento, enfatizou que o BCB não deve apenas tomar decisões técnicas, mas também considerar o impacto social e político de suas ações. Fernando Haddad, por sua vez, reforçou a necessidade de harmonizar as políticas fiscal e monetária, afirmando que tanto o Ministério da Fazenda quanto o BCB devem trabalhar juntos para garantir um crescimento econômico sustentável e robusto. Fernando Haddad também destacou, durante o evento, a importância de fortalecer as carreiras dos servidores públicos como um pilar essencial para a construção de uma administração pública eficiente e comprometida com o desenvolvimento do país. Ele argumentou que a valorização dos servidores públicos, por meio de políticas de capacitação, remuneração justa e estabilidade, é fundamental para garantir a continuidade e a qualidade das políticas públicas, especialmente em instituições estratégicas como o Banco Central. Haddad reforçou que o fortalecimento dessas carreiras contribui para a autonomia técnica e a resiliência das instituições, permitindo que elas desempenhem seu papel de forma independente e alinhada aos interesses da sociedade. Ambos os discursos sublinharam a relevância do BCB no cenário político-institucional e sua capacidade de adaptação aos desafios contemporâneos.
As diretrizes apresentadas durante o evento dos 60 anos do Banco Central reforçam a importância de fortalecer nossa carreira e a autonomia institucional, elementos que são muito bem preservados no modelo de autarquia pública. Esse formato garante que o BCB continue a operar com independência técnica e alinhado aos interesses da sociedade, sem as pressões que poderiam surgir em um modelo de empresa de direito privado. Além disso, a valorização dos servidores e a integração harmônica ao ambiente institucional brasileiro, destacadas nos discursos, sinalizam que a questão orçamentária pode ser enfrentada por meio de uma gestão eficiente e transparente, sem a necessidade de alterar a natureza jurídica da instituição. Assim, manter o BC como autarquia pública e os servidores no quadro do RJU não apenas preserva sua essência, mas também fortalece sua capacidade de adaptação e resiliência diante dos desafios econômicos.
Assim sendo, a direção do BCB deve priorizar a união institucional, reconhecendo e valorizando todas as gerações de servidores que foram fundamentais na construção da trajetória de sucesso da instituição ao longo dos seus 60 anos. Essa integração é crucial para fortalecer a identidade coletiva do BCB e para superar desafios atuais e futuros de maneira coesa e colaborativa. Para isso, é indispensável estabelecer um diálogo franco e transparente com os servidores, membros do governo e do parlamento, promovendo um ambiente de confiança mútua.
Para fortalecer a identidade coletiva, garantir uma gestão coesa e reafirmar seu compromisso com aqueles que contribuíram para o trabalho da instituição ao longo de seus 60 anos, o Presidente Gabriel Galípolo deve promover a valorização dos servidores por meio de ações concretas. Nesse sentido, é indispensável garantir também a participação dos servidores aposentados nas discussões sobre a reforma organizacional do BCB e alternativas à PEC 65/2023, reconhecendo e valorizando sua experiência e legado na construção da instituição. Além disso, receber as lideranças dos servidores em audiência, por meio de suas entidades sindicais, viabilizará o debate sobre essa pauta e outros temas administrativos, incluindo o fortalecimento do Programa de Assistência à Saúde dos Servidores do Banco Central (PASBC).
Não existe dúvida a respeito do compromisso em colaborar na construção de uma solução definitiva para os desafios orçamentários, assegurando a manutenção do BCB como autarquia pública e preservando os servidores no Regime Jurídico Único (RJU). Esse compromisso inclui a implementação de uma política de pessoal inclusiva, pautada nos valores de cooperação e respeito às diversas gerações de servidores que contribuíram de forma significativa para a história da instituição.
Seção Sindical do SINDSEP-DF no Banco Central

