Ditadura nunca mais: lembrar para nunca esquecer

Há 61 anos, o Brasil mergulhava em um dos períodos mais sombrios de sua história política. Em 31 de março de 1964, um golpe militar rompeu o Estado Democrático de Direito e instaurou 21 anos de um regime de terror, marcado pela censura brutal, perseguições implacáveis, prisões arbitrárias, torturas sistemáticas e assassinatos.

Segundo o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), publicado em 2014, foram identificadas 434 vítimas diretas da ditadura militar no Brasil (1964-1985), incluindo mortos e desaparecidos políticos. Esse dado, no entanto, foi complementado por estudos posteriores que apontam que o número de vítimas pode ser maior.

Uma investigação mencionada pela Agência Pública em 2024 indica que 1.654 camponeses foram mortos ou desapareceram durante a ditadura militar, sugerindo que as estimativas anteriores podem subestimar a real magnitude da repressão no campo. Além deles, pelo menos 8.350 indígenas foram mortos nesse período devido a massacres, esbulho de terras, remoções forçadas, contágio por doenças infectocontagiosas, prisões, torturas e maus-tratos.

A violência da ditadura militar não se encerrou com a redemocratização. O entulho autoritário ainda permanece entranhado no Estado brasileiro, especialmente na tutela militar prevista na Constituição, que impede a plena soberania popular e a consolidação de uma democracia verdadeira. O levante golpista de 8 de janeiro de 2023 escancarou essa ferida aberta: generais e setores das Forças Armadas permitiram a existência de acampamentos em frente a quartéis, onde se tramava abertamente contra a democracia. Exigir a punição de todos os envolvidos no golpe fracassado – dos executores aos mandantes, incluindo os generais coniventes – é um passo fundamental para romper definitivamente com a herança autoritária e avançar na democratização do país.

Para relembrar essa data e homenagear todos aqueles que lutaram e resistiram ao regime militar, o Sindsep-DF convida todos os servidores de sua base para um ato público nesta terça-feira, dia 1º de abril, a partir das 12h, em frente ao antigo prédio do BNDES (Setor Bancário Sul – SBS, Quadra 1, Bloco J). O local escolhido tem um peso histórico: na década de 1960, foi utilizado pelas forças repressoras da ditadura para conduzir opositores, sendo palco de graves violações de direitos humanos, incluindo detenções arbitrárias, torturas físicas, psicológicas e sexuais.

ATO PÚBLICO “AINDA ESTOU AQUI: DITADURA NUNCA MAIS!”
📅 Terça-feira | 1º de abril de 2025🕛 12h📍 Setor Bancário Sul – SBS, Quadra 01, Bloco J. (Antigo prédio do BNDES)

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