Servidores indígenas debatem experiências e desafios no serviço público durante Abril Indígena na Funai

Foi realizado, na sede da Funai, nesta quarta-feira, 1º de abril, o evento Abril Indígena, com o tema “Verdades em diálogo: parentes indígenas na Funai”. A atividade reuniu servidores indígenas e não indígenas da instituição e teve como foco principal a troca de experiências entre os trabalhadores que atuam no órgão, especialmente aqueles que ingressaram recentemente no serviço público. O evento foi organizado pela Articulação Nacional dos Servidores Indígenas da Funai (ANSIF).

Construído a partir de conversas entre os próprios servidores, o encontro propôs um espaço de escuta e diálogo sobre trajetórias profissionais, vivências no cotidiano de trabalho, desafios enfrentados e as contribuições dos povos indígenas para o fortalecimento das políticas públicas desenvolvidas no âmbito da Funai.

A diretora da Executiva do Sindsep-DF, Aline Maciel, apresentou a atuação da entidade enquanto sindicato geral e classista, que contempla a maioria dos servidores e empregados públicos do Executivo Federal lotados no Distrito Federal. Ela lembrou que o sindicato foi fundado em 1987, antes mesmo da Constituição de 1988, que tornou legal a organização sindical dos servidores públicos.

A diretora também destacou a filiação do Sindsep-DF à Condsef/Fenadsef, que garante representatividade nacional aos servidores e empregados públicos, reforçando a unidade do funcionalismo na defesa de direitos, e à CUT, integrando os trabalhadores do Executivo Federal à luta mais ampla da classe trabalhadora.

Aline Maciel ressaltou ainda a importância de criar uma Seção Sindical dos trabalhadores indígenas no Sindsep-DF para encaminhar as pautas específicas do setor. Ela lembrou que as eleições suplementares para as seções sindicais estão abertas até o dia 13 de abril. Ao destacar a luta pela regulamentação da negociação coletiva no serviço público (Convenção 151 da OIT), reforçou a importância da filiação ao sindicato como forma de fortalecer a mobilização coletiva e dar sustentação política e material para que o Sindsep-DF continue organizando os servidores em suas lutas.

Por fim, a sindicalista apresentou o projeto “Povos Indígenas e Mundo do Trabalho”, parceria da Condsef/Fenadsef com a CUT, por meio da Secretaria Nacional de Economia Solidária, pensado com o objetivo de ampliar a articulação entre movimento sindical e povos indígenas. A iniciativa busca valorizar suas realidades, saberes e formas de organização, construindo caminhos para garantir acesso digno ao trabalho e ampliar a compreensão sobre a diversidade do trabalho nos territórios indígenas.

O projeto foi lançado no dia 20 de março, na sede da CUT, em São Paulo, com a participação da então ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, além de representantes de diversas entidades parceiras, incluindo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Funai, a Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (Senaes/MTE), a Unisol Brasil e o Sindsep-DF.

Organizado em três eixos principais (comercialização de produtos indígenas, debates e exposição fotográfica, e produção de publicação), o projeto chega a Brasília no dia 8 de abril, com debate e exposição fotográfica na tenda Memória, Verdade e Justiça para os Povos Indígenas, no Acampamento Terra Livre (ATL).

Desafios e Experiências

O evento também contou com diversas mesas formadas por novos e antigos servidores indígenas da instituição, que compartilharam trajetórias pessoais, experiências profissionais e reflexões sobre os desafios de atuar no chamado indigenismo de Estado. Durante o debate, os participantes destacaram que muitos ingressaram na Funai por meio do Concurso Nacional Unificado (CNU), trazendo expectativas de contribuir diretamente com seus povos, mas relataram dificuldades de acolhimento institucional e episódios de racismo estrutural.

O debate evidenciou ainda a diversidade de formações e experiências dos servidores indígenas em áreas como direito, antropologia, geografia, jornalismo e saúde. Os participantes defenderam que a presença indígena no Estado contribui para “indigenizar” as políticas públicas, incorporando diferentes temporalidades, saberes e formas de atuação, além de ampliar o debate sobre temas como território, gênero, regionalidades e memória histórica.

Por fim, os participantes destacaram a importância de estruturar uma política de permanência dos servidores indígenas no órgão, com a possibilidade de lotação diferenciada para que possam trabalhar próximos aos territórios, fortalecendo a construção coletiva de ações voltadas à promoção e à defesa dos direitos dos povos indígenas no Brasil.

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