Sindsep-DF celebra o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora
Na noite desta quinta, 05, o Sindsep-DF promoveu, no auditório Francisco Zócolli, palestra especial em celebração ao Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. A atividade, organizada pela Secretaria da Mulher Trabalhadora, reforçou que a data precisa se afastar do simbolismo festivo para abraçar o enfrentamento ao patriarcado, constantemente utilizado como mecanismo de dominação social.
A coordenadora da Secretaria da Mulher Trabalhadora, Antônia Ferreira, e o coordenador da Secretaria de Formação, Chico Machado, abriram os trabalhos. A programação seguiu com a exibição do curta-metragem “Acorda, Raimundo… acorda!”, lançado em 1990, dirigido por Alfredo Alves e estrelado por Paulo Betti e Eliane Giardini.
O curta é uma obra incisiva e didática no que tange à desigualdade de gênero. Baseado na radionovela de José Ignácio Lopez Vigil, o filme utiliza a inversão de papéis como ferramenta de choque, construindo uma sátira inteligente que escancara o machismo estrutural enraizado no cotidiano das famílias trabalhadoras. A mensagem final é letal ao machismo, afinal, o que para Raimundo é apenas um pesadelo sufocante do qual ele acorda aliviado na manhã seguinte, é, na verdade, a realidade palpável e ininterrupta de milhões de mulheres, um chamado urgente para que a nossa sociedade desperte da letargia patriarcal e repense a divisão do trabalho, a carga mental e as violências silenciosas do espaço doméstico.
Abrindo o ciclo de palestras, em um discurso marcado por resgates históricos e recortes de classe e raça, a coordenadora-geral de participação política das mulheres em espaços de poder, no Ministério das Mulheres, jornalista e militante em lutas sociais, Edneide Arruda Pereira, fez uma análise crítica sobre o verdadeiro significado do Dia Internacional da Mulher, rejeitando a superficialidade comercial da data. “Desde as origens do 8 de Março, impulsionado por mulheres trabalhadoras e ativistas no final do século XIX e início do século XX, a equidade de gênero ainda é uma meta distante em uma sociedade estruturalmente machista e patriarcal”, destacou.
Na segunda palestra da noite, a professora, cineasta e ativista de direitos humanos, Renata Parreira, em um discurso marcado pela emoção e pelo resgate ancestral, subverteu o tom festivo do Dia Internacional da Mulher para propor uma reflexão dura sobre o racismo estrutural e a desigualdade de gênero no Brasil. Ao abrir sua fala com o poema Vozes-Mulheres, de Conceição Evaristo, Parreira lembrou que as lutas femininas não são homogêneas e que a experiência da mulher negra ainda é atravessada pelas heranças diretas da escravidão.
Em sua fala e utilizando de dados estatísticos, apresentou informações preocupantes sobre feminicídio com recorte racial, o genocídio da juventude negra, a cultura do estupro e a exploração infantil. “A construção de uma sociedade mais justa e segura no pós-8 de março exige, obrigatoriamente, que os homens repensem suas masculinidades e dividam o peso da estrutura social”, finaliza Parreira.
O evento alertou que a defesa das mulheres trabalhadoras está intrinsecamente ligada ao fortalecimento do serviço público e das políticas sociais universais, uma vez que a educação crítica e emancipadora, a saúde pública integral e a rede de proteção social, entre outras políticas, constituem instrumentos concretos de enfrentamento das desigualdades de classe e de gênero.
Dessa perspectiva, a emancipação das mulheres trabalhadoras não se realizará sem o enfrentamento das estruturas que produzem exploração, desigualdade e violência, de forma que a luta feminista da classe trabalhadora é inseparável da luta por direitos sociais, por um Estado comprometido com o povo e por uma sociedade fundada na igualdade substantiva.

