Com atenções voltadas para Bolsonaro, Congresso aproveita para “passar a boiada”

Enquanto as atenções do país estavam voltadas para o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Congresso Nacional agiu mais uma vez de maneira sorrateira para aprovar projetos de lei que viabilizam a destruição do meio ambiente e atacam os direitos dos povos indígenas. A estratégia indecorosa dos parlamentares foi revelada em reportagem publicada esta semana no jornal Folha de S. Paulo, intitulada “Com atenções em Bolsonaro, Congresso avança com anistia a desmatamento e garimpo em terra indígena”.

A matéria escancara a manutenção de uma prática bolsonarista muitas vezes denunciada pelo Sindsep-DF, inspirada na tática defendida pelo ex-ministro do governo genocida de Bolsonaro, Ricardo Salles, que quis se aproveitar do sofrimento do povo durante a pandemia de Covid-19 para “passar a boiada”, expressão utilizada para se referir a aprovação de medidas contra a fiscalização e a preservação do meio ambiente. A direção do Sindsep-DF destaca que o “passar a boiada” não é apenas uma lembrança de um período nefasto, mas um método que segue sendo utilizado para favorecer grandes interesses econômicos à custa do futuro do povo brasileiro.

De acordo com a Folha, são oito propostas que desmontam a política ambiental. Entre os retrocessos estão a anistia a pessoas e empresas que promoveram o desmatamento ilegal, a legalização do garimpo em terras indígenas, a abertura de áreas de preservação para exploração mineral e a transferência do poder de demarcação de áreas indígenas para o Legislativo, medidas que enfraquecem órgãos técnicos como a Funai e o Ibama e submete decisões fundamentais ao jogo de interesses políticos e econômicos.

Na prática, essas iniciativas agravam o desmatamento, ameaçam a sobrevivência física e cultural dos povos originários e aprofundam a crise climática, cuja principal vítima é a classe trabalhadora, especialmente as populações mais vulneráveis. Especialistas alertam que os impactos podem ser irreversíveis, com destruição de ecossistemas inteiros e aumento da violência contra comunidades tradicionais.

O Sindsep-DF repudia veementemente mais esta ação de desprezo e zombaria pelo Congresso contra a sociedade brasileira, o que, aliás, tem sido uma prática recorrente da maioria dos parlamentares que têm atuado para aprovar diversos projetos que atentam contra os interesses coletivos dos brasileiros, em favor do mercado financeiro e de determinados setores da iniciativa privada.

São exemplos desses ataques a recém-aprovada Lei 15.190/2025, oriunda do chamado PL da Devastação, que representa um grave retrocesso ao país, apesar dos vetos presidenciais que tentaram mitigar os impactos negativos do texto, e a proposta de reforma administrativa elaborada por um Grupo de Trabalho na Câmara dos Deputados. De viés liberal, fiscalista e punitivista, o projeto precariza as relações de trabalho no serviço público ao tornar uma regra a contratação temporária de servidor público e destrói a estabilidade funcional, princípio que garante que o interesse público esteja a salvo das pressões políticas e do mercado financeiro que visam transformar o Estado em balcão de negócios.

A direção do Sindsep-DF seguirá denunciando as ações antipovo do Congresso, contra os retrocessos, em defesa dos direitos inegociáveis dos povos originários, e pela valorização da floresta, das comunidades que nela vivem, e dos servidores que a defendem, como forma de garantir um futuro sustentável para o Brasil e para o planeta.

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