Extinção da Valec é descartada por representante de ministro da Infraestrutura

Em audiência pública na Câmara dos Deputados, empregados expuseram seus temores com as incertezas que envolvem, inclusive, a situação funcional da categoria. Condsef/Fenadsef cobrou instalação de uma mesa permanente de negociação com a empresa 

Extinção da Valec é descartada por representante de ministro da Infraestrutura

O assessor especial do ministro da Infraestrutura, Kleber Ribeiro Félix, chamou de “grande mal entendido” a afirmação de que há estudos do governo para a extinção da Valec, empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes. Segundo Félix o que há é a intenção de reestruturar o setor ferroviário que não vai na direção de extinção da empresa pública. “Não existe nenhum estudo sendo realizado para extinção da Valec, nem para recolocação dos servidores”, afirmou. 

Segundo ele há um plano para ampliar a capacidade ferroviária que envolve uso de concessionárias já existentes, novos investimentos e também um novo marco legal para o setor que incorpore atividades econômicas, como já existe em outros setores de infraestrutura. Kléber destacou ainda que não se pode negar que a situação atual envolve a falta de recursos, mas que as estratégias envolvem propostas para o fortalecimento da estrutura ferroviária no Brasil. 

As colocações do representante do governo trouxeram algum alívio aos empregados que acompanharam a audiência pública na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, nessa quinta-feira, na Câmara dos Deputados. Solicitada pela deputada Erika Kokay, a audiência contou com participação de representantes da estatal e também dos empregados da Valec, incluindo o representante do departamento na Condsef/Fenadsef, Sérgio Nunes. 

Retorno social

Ao abordar a situação da Valec, Nunes fez uma defesa ampla de todas as empresas públicas apontando sua importância para o benefício do coletivo. “As empresas públicas não atuam na lógica do mercado. Vão além e dão retorno para toda a população. Um retorno social que não se pode desprezar”, pontuou. 

O representante dos empregados da Valec na Condsef/Fenadsef destacou ainda o fenômeno mundial da reestatização que tem ocorrido, principalmente em países da Europa. Nunes apresentou dados comparando o número de estatais em países como Estados Unidos (7 mil), Alemanha (15 mil), China (150 mil) e Brasil (138). 

A disposição do ministro da Economia, Paulo Guedes, em “privatizar tudo” não é vista com bons olhos e é considerada imprudente por aqueles que entendem a importância estratégia de todas elas para a economia brasileira. No caso da Valec há, inclusive, uma estimativa de potencial de exploração considerada bilionária. 

Nunes destacou que uma diretoria de Negócios poderia ser criada e gerar a ampliação da estrutura da empresa. Logística, telecomunicações, armazenamento, estudos e projetos, sustentabilidade e outras áreas foram citadas como possível campo de atuação. “A Valec investiu três vezes mais do que as empresas privadas do ramo juntas. Essa atuação é fundamental para tirar a economia brasileira do estado em que está: refém do modal ferroviário”, apontou Sérgio. Várias intervenções ao longo da audiência lembraram as recentes e novas ameaças de greve dos caminhoneiros, setor que ano passado gerou forte impacto na economia com a paralisação de suas atividades.

Empregados são centrais no processo

As incertezas com o futuro da Valec foram criticadas durante a audiência. Muitos empregados citam adoecimento psicológico com o processo. Representando também os empregados na audiência, Gabrieli Fernandes comentou que as informações nunca chegaram de forma oficial, sempre foram ameaças vindas principalmente de notícias divulgadas pela imprensa. Uma entrevista do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes Freitas, ao Valor Econômico foi citada como a que trouxe maior pânico aos empregados. A situação motivou, inclusive, uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho gerando uma audiência para esclarecimentos

Condsef/Fenadsef quer mesa permanente

A Condsef/Fenadsef apresentou uma proposta para abertura de mesa permanente de negociação que pudesse facilitar a interlocução dos empregados com representantes da Valec. A deputada Érika Kokay se comprometeu a encaminhar junto com a representação sindical uma solicitação formal para instalação desse processo permanente de negociação. A Confederação já participa de processos assim, incluindo na Ebserh. “Seria importante ter essa estrutura também na Valec”, destacou Jussara Griffo, diretora da Confederação.

A angústia com o futuro funcional permanece. Os empregados destacaram que agora passou a fase das notícias para entrar agora no que chamam de fase do silêncio. O apoio parlamentar foi destacado como importante para dar o suporte ao processo de mobilização dos empregados. “Queremos ajudar a compor um modal ferroviário ativo no Brasil. Não queremos ser vistos como inimigos. Somos um corpo funcional comprometido e com vontade de trabalhar”, reforçou Fernandes.

Ainda sobre os empregados, o representante da Condsef/Fenadsef destacou a economia gerada com a substituição, a partir de 2012, de funcionários de carreira daqueles que eram indicados políticos. “Isso gerou economia para o Estado”, frisou Nunes. Para a deputada Érika Kokay o Brasil tem uma malha ferroviária que não corresponde à sua grandeza. “Para cumprir a missão de desenvolver esse modal, crescer e unificar o Brasil, a ação desses trabalhadores comprometidos e qualificados é essencial”, defendeu.

Outros representantes que falaram na audiência reforçaram a importância da Valec e de seus empregados e a importância estratégica inegável da empresa para o Brasil. Sobre as decisões de extinção e demissão de funcionários, Marcelo Cabral de Melo, técnico da Valec praticamente desde o início da estatal há quase 50 anos lembrou. “Os funcionários são os que ficam. São eles que fazem a estatal andar”.

Fonte: Condsef/Fenadsef

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